A maior fragilidade da empresa está na liderança direta. É uma gestão tóxica, imatura e centralizadora, que não apoia o time, fala mal de outros gestores e alimenta divisões internas. O ambiente se torna pesado, com perseguição, desvalorização e decisões tomadas de forma unilateral, sem considerar líderes intermediários - muitas vezes apenas por ego.
É difícil crescer quando interesses pessoais, amizades com a alta liderança, disputas de ego e busca por controle se sobrepõem aos interesses do negócio e da entrega de resultado. Isso gera conflitos de interesse constantes e transmite a mensagem de que quem se posiciona ou tenta mudar a realidade é visto como ameaça.
O que mais decepciona é que, em uma situação desgastante, você pode até buscar apoio em todos os níveis - diretoria, gerência, BPs - e no final nada acontece. O ponto não é resolver os problemas, mas manter tudo como está. A prioridade é preservar quem “representa” a empresa, quem tem “lealdade de anos”, ou quem "é mais fácil manipular" mesmo que isso signifique ignorar abusos, incompetências e deixar de apoiar quem está realmente na linha de frente contribuindo e fazendo a diferença.
Também é desanimador perceber que, mesmo quando existe um pedido formal de apoio à área de Gente e Gestão, isso pode ser interpretado de forma negativa, em vez de ser tratado com seriedade. Isso mina totalmente a confiança e transmite a sensação de que falar é perigoso e silenciar é o caminho esperado. Aliás, gostam muito de falar sobre confiança ou sobre a quebra dela, mas não fazem nada para construir isso de verdade - pelo contrário, chegam a se incomodar quando existe um contato mais amigável e colaborativo com outras áreas.
E, pra piorar, já ouvi frases como: “o problema nem sou eu, é a diretoria; se a diretoria fosse outra, talvez as coisas não fossem assim” e também “a diretora implicou com essa pessoa, então vai ter que demitir”. Como se sentir seguro e confortável com comentários desse tipo, justamente quando existe um pedido de ajuda ou uma reclamação séria? E o pior: ter sentimentos como esse vindo de quem deveria estar ali para cuidar de toda a estrutura de Gente.
No fim, fica a sensação de que a cultura da empresa não é definida pelos valores que ela defende publicamente, mas sim pela conveniência de quem ocupa o poder. Decisões arbitrárias e irresponsáveis são tomadas para esconder falhas graves e abusivas da lideranca, e até mesmo tentar expor isso pra quem deveria resolver ou apoiar acaba sendo interpretado de forma negativa.
Eu, que sempre gostei muito da empresa, saio agora com um sentimento extremamente negativo e traumático pelo que vivi. Valores tão divulgados, como transparência e felicidade, acabam sendo facilmente ignorados em nome de relacionamentos e conveniências.